Dados do IBGE mostram que mais da metade dos lares tocantinenses passam por algum nível de insegurança alimentar. Mais de 120 mil famílias vivem com apenas R$ 105 por mês no Estado
Com nove filhos para criar e desempregada, Valéria Rodrigues mal tem o que comer dentro de casa. Recentemente ela conseguiu um pouco de cuscuz e é com isso que está alimentando a família nesta semana. A triste realidade da desempregada também é compartilhada por cerca de 127 mil tocantinenses, que só conseguem uma média de 105 por mês para sobreviver.
O g1 contou a história dessa família, que vive em uma quitinete no setor Santa Rosa, em Palmas. Entre tantas dificuldades enfrentadas diariamente, Valéria ainda dorme com os nove filhos em um único colchão, já que é só o que tem em casa.
Mais de 200 mil famílias aguardam o Auxílio Brasil no estado
TV Anhanguera/Reprodução
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), essas pessoas em vivem em situação de extrema pobreza. Outras 43 mil famílias contam com um pouco mais, e conseguem passar o mês com uma renda de R$ 102 a R$ 210. Com essa renda per capta, são considerados em estado de pobreza.
O órgão ainda apontou que mais da metade dos lares tocantinenses passam por algum nível de insegurança alimentar e 5% passa fome, de fato.
A única renda de Valéria é o Auxílio Brasil, que ela consegue R$ 1 mil por mês. Dividindo entre as dez pessoas que moram na casa, são R$ 100 para cada. “Eu estou precisando de colchão, de roupas para eles, materiais de colégio e alimento. Se alguém pudesse arrumar um emprego eu queria, pelo menos de limpeza, para eu poder cuidar deles”, disse Valéria.
Valéria vive em uma kitnet com os nove filhos em Palmas
Arquivo Pessoal
Em situação muito parecida vive a aposentada Eva Rodrigues, de 61 anos, mãe de Valéria. Em sua geladeira só tem um pacote de arroz, um de farinha e duas cabeças de alho. E disso sairia a refeição de vários dias.
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Assistência
No Tocantins, 146 mil famílias que são atendidas pelo Auxílio Brasil. Entretanto, mais de 200 mil estão na fila para conseguir pelo menos essa ajuda financeira.
Para a socióloga Lisa Basílio, programas como esse, do governo federal, podem mudar a realidade de muitas pessoas, mas para que todos sejam contemplados é preciso ampliação.
“Se estou com fome, é importante que tenha um prato de comida na minha casa. Mas o que os governos não podem é só se ater a essas políticas. É preciso ter políticas mais elaboradas de transformação dessa realidade. Mas enquanto isso não acontece, a assistencialista é importante porque ela salva vidas, ela tira o indivíduo da fome”, comentou.
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Fonte: G1 Tocantins
