Em audiência pública, secretário de saúde nega crise e diz que setor ‘evoluiu bastante no estado’

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Em 2023, até maio, pelo menos 42 pacientes morreram nas UPAs de Palmas aguardando leito no Hospital Geral. Secretário falou de projetos e obras, mas não deu prazos. Secretário de Saúde, Afonso Piva, durante audiência pública
TV Assembleia/Reprodução
Em uma audiência pública com quase cinco horas de duração o secretário estadual da Saúde, Afonso Piva, negou que exista crise na saúde pública do Tocantins. O encontro político aconteceu durante sessão da Comissão de Saúde e Assistência Social na Assembleia Legislativa, na noite desta segunda-feira (6) e foi transmitido pelo canal da casa de leis.
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A reunião contou com a presença de prefeitos, gestores da área saúde de municípios, vereadores, Defensoria e Ministério Público Estadual. Um dos participantes foi a secretária de saúde de Araguaína, Ana Paula Abadia, que relatou a demora em transferências de pacientes da rede municipal para o Hospital Regional da cidade.
Segundo ela, pacientes já ficaram esperando dez dias por transferência. Em 2023, 12 pessoas morreram na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade enquanto esperavam uma vaga no hospital estadual.
Audiência pública da saúde realizada na Assembleia Legislativa do Tocantins
Clayton Cristus/Aleto
Situação semelhante é registrada em Palmas, onde um levantamento apontou que 42 pacientes morreram aguardando vagas no Hospital Geral de Palmas só neste ano.
Afonso Piva, por outro lado, negou a existência de crise e defendeu o sistema de regulação que vem sendo implantado nos hospitais públicos. Segundo ele, a regulação não diferenciou o rico do pobre, principalmente, durante a pandemia.
“Eu não acredito que nós estamos na crise da saúde. Acredito que a saúde evoluiu bastante e o que aconteceu nos últimos 30 dias só quem tem a ganhar é a população porque esse debate que está acontecendo é a população”, disse.
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A sessão também teve uma apresentação feita pela Secretaria de Estado da Saúde, em que o estado destacou ter realizado 10.704 cirurgias eletivas em 2022.
Piva afirmou que os principais desafios do estado neste ano são a melhoria na atenção primária, cobertura vacinal e controle da hipertensão e diabetes, além da entrega de obras. Durante a sessão, ele também falou sobre alguns projetos do governo, mas sem dar prazos.
Hospital Geral de Araguaína
Segundo Piva, a obra do Hospital Geral de Araguaína está 50% concluída e deve receber R$ 70 milhões de recursos em 2023, além do mesmo valor no próximo ano. Disse que o estado encontra dificuldade para contratar mão de obra para a construção e articula emendas para ser a primeira unidade da região norte do país a fazer cirurgias robóticas.
Segundo o secretário, o novo hospital deverá ser uma unidade de portas fechadas, ou seja, só receber pacientes encaminhados de outras unidades. Para isso, o atual hospital será transformado em um pronto socorro. Não foi dado prazo de quando a obra será concluída
Hospital da Mulher
O secretário falou sobre o projeto de construção de um Hospital da Mulher em Palmas, por meio de uma parceria público-privada. A unidade deverá ter 210 leitos, mas não foi dado nenhum prazo de quando esse projeto vai sair do papel. Em maio, o Estado fez uma audiência pública para discutir o assunto.
Conforme o planejamento, com a criação desse novo hospital o atual prédio do Hospital Dona Regina poderá ser transformado em um hospital de trauma ou neurológico.
Setor de Oncologia do HGP
Piva afirmou que o setor de oncologia do Hospital Regional de Araguaína será assumido pelo Hospital do Amor. Além disso, o governo pretende fazer um convênio para que a instituição também seja responsável pelo mesmo setor no Hospital Geral de Palmas.
Leitos em Palmas
Sobre a demanda da rede municipal de Palmas, quem também vem reclamando da demora na transferência dos pacientes par ao HGP, o secretário afirmou que além do convênio com o Hospital Padre Luso, também está fazendo repactuação dos repasses com o município.
A intenção do Estado é transformar o Hospital Padre Luso em um hospital de baixa e média complexidade. Os casos envolvendo cirurgias mais simples ficariam sob responsabilidade dessa unidade e com isso o Hospital Geral de Palmas seria desafogado.
Até a semana passada não havia definição de como a parceria iria acontecer. O g1 questionou a Secretaria de Estado da Saúde (SES) sobre o assunto e aguarda resposta.
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Fonte: G1 Tocantins