Voluntários trabalham para conseguir alimentos e destinar a famílias carentes: ‘O que você tem de sobra serve para alguma pessoa’

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Com o apoio de empresas, iniciativas ajudam a colocar comida na mesa de pessoas que enfrentam a situação de insegurança alimentar. Voluntários de Palmas Doações são separadas e entregues a famílias em Palmas
TV Anhanguera/Reprodução
O Tocantins atravessa um cenário em que mais de 280 mil pessoas estão em situação de insegurança alimentar, ou seja, têm muito pouco ou nada para comer dentro de casa. Nos supermercados e outros estabelecimentos, nem todos os alimentos como frutas e verduras despertam interesse no consumidor. Para que não haja desperdício, esses produtos chegam à mesa de quem precisa através do trabalho de voluntários, que recolhem doações e destinam para quem precisa.
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Alguns estabelecimentos fazem a doação de frutas, verduras e legumes para esse fim, como acontece em um supermercado de Palmas.
“O que não serve para vender são os produtos que vem com algumas manchinhas, está mais maduro, as bananas que saem fora do caixa e ficam soltas. Essas os clientes não levam então a gente seleciona e aqui separamos o que realmente serve para consumo e os outros que não servem. Essa parte que não serve nós descartamos. A outra, doamos”, explicou Solismar Mendes, supervisora de padaria.
Depois das verduras e frutas serem separadas na doação, elas são embaladas e ficam no ponto de serem entregues às famílias. Há dez anos como voluntário, o funcionário público Walter Simões Nobre ajuda a recolher esses alimentos, na separação e distribuição para famílias de baixa renda da capital. Em dia de ação, mais de trinta famílias são beneficiadas com os alimentos e terão algo a mais no cardápio.
O funcionário público Walter Simões Nobre e voluntários separam os alimentos para doação
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“O público é muito grande e Palmas precisa de gente para doar o seu tempo, o que você tem de sobra serve para alguma pessoa. As pessoas estão fazendo e tem algumas famílias que nos procuram. Essas que são beneficiadas falam comigo” contou.
Empresas e voluntários ajudam quem tem fome em Palmas
Do outro lado, quem recebe os alimentos comemora, como é o caso da dona de casa Leuzimar da Conceição. Ela faz parte de uma das 40 famílias que recebe ajuda da ação de Walter. Na casa em que mora não tem geladeira e o alimento que ganha nos projetos voluntários é consumido de forma que não estrague nada.
“Tomate a gente cozinha e faz uma conserva, que é o que dura mais. A cenoura a gente cozinha ou muitas vezes a gente descasca, põe no sol para comer quase seca. Mas não se perde nada”, ensinou.
Em Palmas, mais de 100 instituições recebem as doações do Programa Mesa Brasil. O programa é o maior banco de alimentos da América Latina e só o Tocantins arrecada mais de 70 mil quilos de alimentos por mês.
“Hoje, no Brasil, nós temos mais de 30 milhões de pessoas passando fome e mesmo assim, 17% de tudo que é produzido no Brasil vai diretamente para o lixo. Esse é o trabalho do Mesa Brasil, fazer com que esses alimentos que perderam o valor comercial, mas serve para o consumo humano, então nós vamos lá no mercado, trazemos para cá para fazer essas doações”, contou Any Sandra Cunha, coordenadora do programa.
“Não toda semana que tem para fazer, como diz, a ‘feira’, né. Toda sexta-feira tem a verdura, a fruta e ajuda muito na renda da família”, comemorou a dona de casa Adriana Soares, que é uma das beneficiárias dos produtos.
Sem desperdício
Na iniciativa Casa Azul, o projeto de voluntários atende cerca de 80 famílias toda semana. “Hoje a gente atua na região mais carente do bairro, que seria Aureny IV, setores mais carentes, e o objetivo é levar esses alimentos às famílias em situações de vulnerabilidade”, explicou Erismar Araújo, presidente da Casa.
Projeto de voluntários Casa Azul atende cerca de 80 famílias
TV Anhanguera/Reprodução
Para reduzir a população que passa fome, o trabalho voluntário é feito por diversos braços. Entre as iniciativas práticas, como a ação do Pacto Contra a Fome lançada há poucos dias, objetivo é diminuir essa situação no Brasil até 2030, principalmente combatendo o desperdício de alimentos no país.
“Nós somos 40 co-fundadores no Pacto Contra a Fome, que nos unimos por esse sentimento de inconformismo com a situação que a gente vive no país. Juntos, nós entendemos que o pacto pode colaborar através de três pilares: o primeiro é de inteligência, então a gente atua na consolidação e disseminação de dados sobre a fome, sobre desperdício de alimentos. O segundo pilar é de articulação, então a gente dialoga como poder público e apoio para que as pautas prioritárias nas políticas públicas de combate à fome sejam implementada. Por fim, a gente trabalha através de incentivos, em que a gente promove aqui o reconhecimento a todas as iniciativas que já atuam”, explicou a diretora do Pacto Contra a Fome, Maria Siqueira.
Por parte do poder público, o desperdício de alimentos também é um problema que está sendo combatido, conforme explicou o analista da Secretaria de Agricultura do Tocantins, João Burjack. “Com nossos parceiros aqui, fornecedor de laranja, banana, maça, também tem essa preocupação de evitar o desperdício e também de contribuir com pessoas que estão precisando realmente desses alimentos”, disse.
O Mesa Brasil ajuda na coleta e distribuição de alimentos para famílias carentes
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Importante para a saúde
A condição de fome pode afetar as pessoas de diversas formas e segundo a nutricionista Patrícia Kelly Cerqueira, a boa alimentação é sinônimo de saúde para todos os sistemas do corpo. “A alimentação saudável é como uma base para que a gente consiga combater infecções, que a gente tenha um sistema imune atuando de uma forma eficaz e o nosso sistema imunológico , intestinal, para ter nosso sistema cognitivo funcionando de forma adequada”, explivou
Todas as ações de empresas e voluntários podem tirar milhões de pessoas da insegurança alimentar, condição social que traz impactos muito negativos para o dia a dia de quem passa.
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Fonte: G1 Tocantins